Festa do Caiçara neste domingo (29) atraiu centenas de familias caiçaras tradicionais na praia de Boissucanga em São Sebastião

Folha do Litoral Norte faz uma homenagem ao caiçara pioneiro de Barra do Sahy, Aristides dos Santos que na decada de 70 para 80 montou a primeira bomba de gasolina da costa sul de São Sebastião e também foi o primeiro distribuidor oficial da Ultragaz na região,Aristides trazia o barril de gazolina de Santos em seu barco. Ele era o pai da Dona Celia, uma mulher guereira e querida por todos, tinha na época o  Bazar Sahy .O filho da dona Celia , Marcos Jorge  dos Santos é hoje o  Secretario de Segurança Publica de São Sebastião, para orgulho da famila e de todos os caiçaras.By Carlos Valim

Folha do Litoral Norte faz uma homenagem ao caiçara pioneiro de Barra do Sahy, Aristides Tavares de Jesus que na década de 70 para 80 montou a primeira bomba de gasolina da costa sul de São Sebastião e também foi o primeiro distribuidor oficial da Ultragaz na região,Aristides trazia o barril de gasolina de Santos em seu barco. Ele era o pai da Dona Célia, uma mulher guerreira e querida por todos, tinha na época o Bazar Sahy .O filho da dona Célia , Marcos Jorge dos Santos é hoje o Secretario de Segurança Publica de São Sebastião, para orgulho da família e de todos os caiçaras. By Carlos Valim

A Festa do Caiçara que aconteceu neste domingo (29) emocionou e atraiu centenas de nativos e turistas ao bairro de Boiçucanga, na Costa Sul do município.

Em sua primeira edição, o evento contou com o apoio da Secretaria de Cultura e Turismo (Sectur), além de comerciantes e voluntários, e teve como principal objetivo o resgate da cultura caiçara.

A festividade faz parte do Calendário Oficial e foi organizada pela jornalista Silvia Amparo e pela funcionária pública municipal aposentada Lavínia de Matos para homenagear o Dia do Caiçara, comemorado em 15 de março.

O evento teve aprovação dos que compareceram, apesar da chuva que volta e meia caía. “A festa está muito boa, com muita confraternização entre os caiçaras de nossas praias. Fazia tempo que não encontrava alguns amigos. Espero que isso aconteça todos os anos”, fala o pescador e comerciante Mauro Ferro, 69, do bairro Juquehy.

O morador de Paúba, Adilson Aoleriano dos Passos, 68, também estava bem contente com o evento. “Já encontrei pessoas que não via há muito tempo”, contou.

Para ele, a união entre o povo nativo é saudável e traz muitas recordações. “Antes, os caiçaras tinham uma vida bem diferente. Apesar de toda dificuldade a situação era melhor e com qualidade de vida. Hoje não temos muito valor”, lamenta. Passos criticou, ainda, o comportamento de alguns turistas e imigrantes que não respeitam o lugar e constroem em lugares errados, além de sujar rios, praias e ruas. “Nós, caiçaras, não somos assim”, afirma.

Emoção

Uma das apresentações que mais comoveu e recebeu muitos aplausos do público foi a Folia de Reis. Muitos nativos ficaram com os olhos cheios de lágrimas. É o caso da comerciante da Barra do Sahy, Márcia dos Santos, 51. “Lembrei os meus pais e de quando era criança; que acordava com o barulho da folia. Eu tinha medo, mas depois comecei a gostar e era muito bom. É um momento muito nostálgico e válido. A festa foi muito legal”, disse.

Outros descendentes também ficaram emocionados com a exposição de fotos e breve histórico de entes queridos falecidos.

Houve ainda relatos de caiçaras com relação ao cotidiano dos antigos nativos, apresentação de um dicionário com palavras típicas e homenagens a alguns caiçaras presentes, como dona Mariquita, da Barra do Sahy, e dona Maria Lurdes, de Boiçucanga.

A contadora de histórias sebastianense, Neide Palumbo, também participou do evento e contou “causos” que arrancaram gargalhadas. Ela fez questão de elogiar a iniciativa na Costa Sul. “O evento é fantástico porque valoriza o nosso povo, que está esquecido. É uma festa para nós”, fala a caiçara.

Filmes

O público assistiu, ainda, a projeção de filmes e documentários com relação à região, a vida e aos costumes dos nativos, além do coral com integrantes do Projeto Valorizando à Pessoa Idosa (da secretaria municipal do Desenvolvimento Humano e Trabalho) e conheceu, ainda, uma árvore genealógica elaborada por caiçaras com mais de quatro mil nomes. Já a animação ficou por conta de bandas locais, que tocaram vários ritmos musicais e fez o povo dançar muito.

A organização serviu aproximadamente 300 quilos de carapau (peixe) assado, com pirão, arroz e vinagrete, além de muita bebida.

Para o paulistano e frequentador da Costa Sul, Fernando Barros, 62, o evento estava ótimo. “A cultura, a história, a comida, tudo aqui está muito bem representado e organizado”, avalia. “A festa está maravilhosa e bem organizada. É disso que o município precisa para não esquecer a cultura”, acrescentou o aposentado e morador no centro da cidade, Nelson Ribeiro, 66, que fez questão de elogiar o tempero do carapau. “Está uma delícia, muito bom”.

Ele conta que soube do evento pela internet e resolveu prestigiar pelo fato do seu pai – falecido Graciano Ribeiro – ter conhecido muitos caiçaras da região, já que ele era telegrafista e na década de 50 chegou a abrigar alguns deles em sua casa, na área central. “Temos vários amigos na Costa Sul”.

Cultura

Para a diretora de Cultura da Prefeitura, Vera Alonso, que prestigiou o evento representando,  a secretária Marianita Bueno, a iniciativa é de suma importância para cultura da região. “Faz bem lembrar os costumes e as tradições dos nativos, que eram pescadores, lavradores e batalhadores, os quais ajudaram o crescimento da cidade”, declara Vera. Ela também parabenizou a organização e as pessoas envolvidas na realização da festa. “É essencial haver parcerias”, completou.

A jornalista Silvia Amparo se diz satisfeita com relação ao resultado da festa. “Como organizadoras, eu e a Lavínia estamos felizes em ter conseguido atingir o nosso objetivo, que foi unir o povo caiçara de Toque Toque Grande a Boracéia. O público estava muito alegre e aprovou o evento. Quero agradecer aos apoiadores e colaboradores que acreditaram em nosso trabalho, e também às pessoas que prestigiaram o evento”, destaca.

O único contratempo do acontecimento foi a não realização do cadastramento dos caiçaras por falta de mais voluntários. O cadastro, no entanto, será realizado bairro a bairro nos próximos meses para, a partir daí, iniciar a luta por melhorias e projetos voltados aos caiçaras. Um deles é a criação de um “Museu do Caiçara”, onde o visitante conhecerá a história dos antigos de cada bairro da região e todo o município. De acordo com a organização, mais de mil pessoas compareceram à festa.

Serviço – Interessados em colaborar com o dicionário típico caiçara podem enviar sugestões para o e-maildicionariocaicara.saosebastião@gmail.com ou acessar a página no Facebook: Festa do Caiçara.

(RS/VM)

Foto: publicada em 1987 na Folha do Litoral Norte na matéria do jornalista Carlos Valim de titulo “A Historia do Pioneiro”

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